quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sporting - Jornada 20

O Sporting desata a perder o último dérbi bem antes das oito e meia da noite da passada segunda-feira, altura em que um jogador do Benfica coloca a nu as incontáveis carências de Leandro Grimi, uma pessoa com a coordenação motora dum insuficiente renal com muito sono. De facto, é no encontro que nos opôs ao Sporting Clube Olhanense que o derby começa a pender decisivamente para o outro lado, o lado dos maus. Operacionalize-se, conceptualmente e etc., esta questão: o Sporting partiu para o encontro no Algarve com um jogador em risco de exclusão por acumulação de cinco cartões amarelos. A expressão “em risco” deixa, logo de caminho, de fazer sentido a partir do momento em que as variáveis “jogador do Sporting” e “Olegário Benquerença” se conjugam num único acontecimento – neste caso, o mesmo encontro de futebol. Estando algures no estádio - fosse no relvado, no banco, na bancada ou até no bar do José Arcanjo, disfarçado com um bigode e óculos escuros -, Evaldo estaria tão em risco de ver o cartão amarelo das mãos de Olegário Benquerença como, após qualquer vocalização que apresente a mínima semelhança com um fado, há o “risco” de alguém gritar “Ah, fadista!”. E como havia risco de o final do seriado “Lost” não ser uma das maiores banhadas da história televisiva ocidental. Isto é, não se pode falar em risco quando estamos a abordar uma inevitabilidade histórico-cultural, ou, no caso da postura de Benquerença, uma inevitabilidade meramente fidepútica.

A ausência de Evaldo não seria um problema de maior, se as qualidades do seu substituto directo para o desempenho da função de lateral-esquerdo não se encetassem e se encerrassem no facto de este último conhecer existência enquanto mamífero canhoto. Aliás, recorra-se antes a “mamífero e canhoto”, para parecer que Grimi preenche duas das faculdades necessárias para ser defesa-esquerdo. A evidente incapacidade de Grimi para desempenhar qualquer função num campo de futebol não pune o Sporting apenas quando esse desastrado ente aparece no onze do clube. Concretizo este ameaça, evocando o facto de, durante a semana, Grimi treinar com, por exemplo, Cristiano. Enfrentando Grimi nos treinos, Cristiano dará, imediatamente, a impressão de que está num momento de forma inexplicável por qualquer ciência, ao ponto de Cabral e Paulo Sérgio questionarem, entre si, se este extremo não será a reencarnação do Garrincha, mas em mil vezes melhor. Corolário lógico: Cristiano é titular contra o Benfica e, ainda por cima, convencido, também ele, de que se tornara entretanto no Garrincha. Logo, não é quando Salvio e Gaitán marcam aqueles golos relativamente feios que o Sporting perde o jogo. É quando a ala esquerda titular do Sporting nesse encontro faz suspirar pela dupla Paíto-Fumo.

Perante isto, o Benfica venceria sempre o desafio de segunda-feira. Com isto em campo, deixa de haver o “no futebol nunca se sabe, são onze contra onze, tudo pode acontecer”. Nem quando ficaram onze contra dez, já agora. Jogar contra dez é mais difícil, como disse o adjunto do Sporting, Cabral (enfim...), mas só porque os onze do outro lado têm o Grimi, um atleta cujo pé esquerdo produz roscas à balda para onde estiver virado à razão de “sempre que toca o esférico”. Junte-se a isto um avançado que joga no limite do fora de jogo, mas sempre para lá do limite legal. E para quê? Para se isolar mais facilmente perante o guarda-redes? Não, para receber a bola, recuar, rodar sobre si próprio, pentear a bola várias vezes, e, demasiado tempo depois, levantar a cabeça, ver que não tem ninguém escandalosamente desmarcado, e tocar a bola para trás, para se tentar tudo outra vez. Não obstante tudo isto, devo dizer que a culpa de Grimi é, e será sempre, relativa. Ele tem noção do que é: o pior jogador que uma série de acasos cósmicos alguma vez permitiu possuir um contrato profissional. Contudo, se o plantel do Sporting tiver um bidão, literalmente um bidão, no plantel, ninguém obriga o treinador do Sporting a colocá-lo em campo. Anseio, então, pelo dia em que Paulo Sérgio cite finalmente Keanue Reeves na valorosa metáfora para a vida que é a película “Ruptura Explosiva” e diga, de uma vez, “I can't do this”. E desapareça.

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