sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sporting - Jornada 16

Foi uma noite consideravelmente tareca, a do último sábado, em Alvalade. Lá se concretizou o inevitável, findando, enfim, o reinado que ensinou todos os sportinguistas a votar em tudo, menos em indivíduos que partilhem apelidos com membros daquele conjunto de rock, os Extreme. É lembrarmo-nos todos disto, de ora em diante, mesmo que a alternativa ganhe forma num ex-inspector da PJ que queira trazer os trinta e oito anos de Pavel Nedved para a Academia. Bom, centrando-nos, todavia, no jogo desta jornada décima-sexta - encontro que defino como o “derby do mobiliário”, visto que opunha o  Paços de Ferreira, casto representante da capital do móvel, e o meu Sporting, clube que dispõe no seu actual plantel de diversos jogadores com mesinhas-de-cabeceiras nos pés -, optei por fraccionar, e a preceito, o mesmo em três momentos; tão distintos, quanto decisivos. 
E o golo inaugural da partida assume-se, nesta minha análise, como o primeiro instante, dos tais três. Um central qualquer do Paços chuta a bola a quarenta metros da baliza e é golo, um a zero para os amarelos. Rui Patrício, o jogador do Sporting que usa luvas e, segundo consta, pode jogar a bola com as mãos, reclama com os colegas, gemendo que não podem deixar os adversários rematar. Concordo com o Rui. O problema do Sporting é deixar os adversários rematar. Se não deixassem os adversários rematar, o Sporting nunca sofria golos. Mas, cheira-me, também não precisaria de guarda-redes e poderia, dessa forma, alinhar com onze jogadores de campo, aumentando sem dúvida a probabilidade de marcar na baliza adversária. Pobre Patrício, que tem de aturar uma defesa que permite remates a quarenta metros. Parece que querem fazer a cama ao Rui, não sei. 
O segundo momento trata-se da grande penalidade assinalada contra o Sporting. Parece que, aos avançados do Paços em Alvalade, já não é apenas permitido jogar a bola com a  mão na área do Sporting: também já podem cair sozinhos, que é falta. O árbitro – Luís Catita, um polícia de Évora - limitou-se então a seguir um desígnio aparentemente divino, e, nesse sentido, não o condeno. Pelo sim, pelo não, e num assunto não relacionado, devo fazer notar aos sportinguistas da zona de Évora que devem retirar o galhardete do Sporting do retrovisor de suas viaturas, se quiserem estacionar em segunda-fila. 
O terceiro e último momento ganha forma no preciso instate em que o universo ganha consciência de que o treinador Paulo Sérgio vai fazer entrar o atleta Grimi. Este argentino, e isto é do conhecimento geral, está qualitativamente mais longe de Paíto ou de Pedrosa do que da possibilidade de vencer, no mesmo ano, o Prémio Nobel da Física e o Oscar de melhor actor-secundário. E isso é dizer tudo. Pois quando aquele que, em termos oficias, é o treinador do Sporting manda entrar Grimi, o universo revolta-se e, dominado pela raiva, pune o Sporting com o terceiro golo do Paços – embora, sejamos justos, mandar fechar o mundo fosse pena bem mais congruente. E quem pode, neste caso em concreto, censurar o universo?

P.S: Dois dos nossos jogadores que, não querendo conspurcar em absoluto o conceito de “avançado”, identificarei como “que jogam lá à frente”, foram notícia durante a semana. De modo efectivo, Héder Postiga e Yannick Djaló têm preenchido umas quantas parangonas. O primeiro porque, consta, é pretendido por um par de clubes russianos, que, e passo obviamente a citar querem “roubar” o goleador. Se percebo as aspas no verbo roubar – é roubar no mesmo sentido que um xarope me “rouba” um morbo ou uma mulher de vida fácil me “rouba” a solidão -, não entendo por que raio as não enxergamos no termo goleador. Uma gralha, certamente. Já Yannick,  foi pai. Uma boa notícia que, além de mandar boa parte da teoria Darwiniana às urtigas, poderia ter o condão de motivar o “jogador” (ao contrário de certos jornalistas, não falho uma aspas, eu), levando-o a golos e exibições de classe. No caso de Djaló, porém, cheira-me que só o vamos ver a festejar como o Bebeto ou de polegar na boca quando a garota dele já andar na Primária. É o que temos. Não sei se não compensa.

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