Sporting - um mero repisar de coisas várias
Finda a época cujo único ponto positivo, a nível de sportinguismo, residirá porventura na possibilidade de José Couceiro assinar pelo Samsunspor e no facto de, no Sporting, aparentemente já se ter chegado à conclusão de que mancam qualidades básicas de coordenação motora a Leandro Grimi para este poder estar à altura de desafios de futebol no pós-Tratado de Versalhes. Mas, afinal, esta época terá sido pior do que a anterior? Ambas deram para manter alguns consolos mínimos, como o facto de sermos o único clube mundial a nunca ter terminado a sua liga nacional abaixo do 5º lugar ou, por exemplo, o facto de, ao contrário dos nossos rivais, ainda não ter sido desta que terminámos o campeonato abaixo da União Desportiva de Leiria ou do Fabril do Barreiro. Vendo bem, para os mesmos trinta jogos, o Sporting acumulou as mesmas 13 vitórias, 9 empates e 8 derrotas, o que representa uma espectacular coerência dentro da mediocridade. O pior goal-average, 41-31 nesta temporada e 42-26 na anterior, poderá ser equiponderado pela melhoria posicional objectiva, visto ter-se conquistando o 3º em vez do 4º lugar. Porém, e reconhecendo que possa ser tema minimamente discutível, tendo a considerar esta época como pior do que a anterior. A razão é simples: é nesta época que, saberá Deus por que raio, Hélder Postiga é elevado ao estatuto de “jogador em grande forma/a realizar a melhor época de sempre”. A espaventosa boa imprensa do Hélder Manuel é digna de análise laboratorial no estrangeiro. Por alguma razão, a trágica capacidade de ser inconsequente deste avançado parece fazer as delícias dos analistas desportivos. Mas a verdade é que a suposta melhor época da vida de Postiga se traduziu em seis golos na liga (um a cada 334 minutos) e a última vez que o melhor marcador do Sporting no campeonato foi um avançado com seis golos, o seu nome era Paulo Alves. Paradigmático, se alguma coisa. Além dos golos apontados a Portimonense, Olhanense, Vitória Sport Clube e Naval, destaquem-se ainda os dezasseis foras de jogo em 618 minutos de Liga Europa (um recorde absoluto da prova, que isto não é só para Radamel Falcao). Contudo,e como bem sabemos, há defensores para tudo e os de Postiga dirão que o vila-condense teve basto azar com as bolas nos ferros, uma léria que também poderá ser aplicada a Tomas Skuhravy e barra da baliza do Chaves.
Outros factos desastrosos da presente época prendem-se com o facto de Rui Oliveira e Costa, uma pessoa para quem Yannick Djaló alinhou na final da Taça UEFA 2004/05 a número 10 (enquanto conceito posicional e não meramente numérico), continua a representar o Sporting num programa semanal de debate desportivo. Bem, mas se não fosse Rui Oliveira e Costa, o Postiga seria de muito longe o pior elemento de um trio ofensivo, ao passo que, desta forma, é o pior na mesma, mas não de tão longe assim. Depois há a lesão grave de Abel, mesmo a acabar a época, que, muito provavelmente, levará o clube, enquanto entidade singular e de moral elevada, a renovar-lhe um contrato para a prática de uma das coisas para as quais Abel menos jeito aparenta. Finalmente, manteve-se o crónico ódio corporativo dos árbitros para com o Sporting Clube de Portugal, que podemos consubstanciar exemplificativamente na expulsão de João Pereira diante do Portimonense. As expulsões por palavras, esse exclusivo verde-e-branco, já não eram tão faladas desde que Rui Jorge chamou “urso” a um fiscal-de-linha em Braga, vendo-lhe de imediato ser abanado um cartão vermelho à frente do nariz. Curiosamente, dentro do mesmo espectro temporal, víamos que, quando era assinalado um fora de jogo a Nuno Capucho – um habitué de cartões vermelhos, mas apenas enquanto alinhou pelo Sporting -, Nuno Capucho disparava uma quantidade de "fideputa" a uma velocidade tal que, valha a verdade, era complicado a qualquer árbitro ou fiscal de linha perceber sequer que estava a ser profundamente ofendido.



