quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sporting - Jornada 5

Sejamos francos: após três derrotas em quatro encontros e, essencialmente isso, depois de Guimarães (citado aqui enquanto  mais recente manifestação do suposto fenómeno de, no planeta, existir uma maioria que é perseguida) e defrontando o seu rival estrutural, nunca na vida o adversário do Sporting no passado domingo perderia pontos. De facto, um mero exercício de suma honestidade intelectual permite-nos antever o que uma eventual perda de pontos da equipa visitada acarretaria. Logo à cabeça, Carlos Xistra, a sua família directa e demais pessoas que considera para possíveis padrinhos de seu filho, seriam esfolados em praça pública a designar. Seguidamente,  a implosão figurativo-conceptual do país seria uma realidade palpável, ressaltando, como exemplo paradigmático disso mesmo, a transmissão televisiva ininterrupta da filmografia integral de Christopher Lambert em todos os canais nacionais, com o actor francês a ser, porém, digitalmente substituído em todas as suas cenas pelo troféu da Taça da Liga dois mil e oito/dois mil e nove. Enquanto que, a nível global, esperar-se-ia, no mínimo, uma série de bombardeamentos da sede da NATO por parte da casa do Benfica no Luxemburgo. E, claro, em relativa concomitância, verificar-se-ia também a reanimação do Pacto de Varsóvia, presidido agora por Yuran, Kulkov e Panduru – uma liderança tripartida que Nuno Rogeiro viria, em debate num canal noticioso, a considerar “sensata”.

Quer queiramos, quer não, esta ameaça pairava no mundo e, como foco central da mesma, pairava também na Luz. Xistra sabia-o, Paulo Sérgio idem, Djaló não sabia, mas o seu rendimento seria sempre como se soubesse. E foi, mormente, para impedir tudo isto, que, na Luz, os leões se sacrificaram em prol do bem-estar comum. Mas, ainda assim, houve jogo. Pouco antes do pontapé-de-saída, Gilberto Madaíl, timidamente acompanhado por Luisão e um Nuno Gomes vestido à civil que ia ter aula de educação física entretanto, levantou o troféu de campeão conquistado pelo Benfica na época passada. Uma imagem elucidativa. Entretanto, não se registavam, nos onzes iniciais, grandes surpresas. Como será, por esta altura, do conhecimento geral, o Sporting, por ter perdido uma aposta com o Universo, é bastas vezes obrigado a apresentar Yannick Djaló no seu onze titular. Assim foi e o montenegrino Vukcevic (Vuskevisc para Oliveira e Costa, Vujavic para Octávio Machado) lá voltou ao banco de suplentes. Quanto ao jogo em si, parece-me evidente que se tratou de uma mera sequência de livres laterais a favor do Benfica. A equipa da casa lá marcou cedo, num biqueiro daquele índio paraguaio que festeja sempre com a boca aberta, e o segundo veio logo no início da segunda parte, autoria da mesma pessoa, num remate que, para um guarda-redes, seria mal sofrido, mas que, com Rui Patrício entre os postes, é “um grande golo”.

Todavia, e com dois e zero, tudo - destino do país e mundo como o conhecemos, inclusive - parecia estar relançado ao minuto cinquenta e nove, quando Paulo Sérgio substitui Djaló por Vukcevic. Tínhamos novamente jogo! A vantagem de dois golos era, agora, parca, muito parca, para um Sporting que já não se apresentava com Yannick em campo. Contudo, no mesmo minuto, o jogo volta a ficar completamente decidido, com a entrada em campo de Hélder Postiga. O sonho durou cerca de oito segundos.

Foi um jogo fácil? Bem, citando João Moutinho, após uma vitória do seu actual clube na Europa contra não sei quem que, segundo dos comentadores da SIC, se destacava por ter um guarda-redes fisicamente parecido com o van der Sar: “nós é que 'tornámo-se-o' fácil”. E, com efeito, basta substituir aqui o “nós” por um “a necessidade de manter um grau relativo de civilização”, para que se registe na mesma a existência duma entidade que tornou o jogo fácil. O Sporting, estando o jogo perdido à partida, conseguiu, ainda assim, retirar alguns pontos positivos do mesmo. Granjeou uma consideravelmente maior posse de bola, aspecto que, se nos lembrarmos que o Sporting alinhou com Djaló, assume contornos de  transcendentalidade, a exigir pelo menos um feriado celebratório de abrangência global. Antes de terminar, aproveito para admitir que sim, é perfeitamente possível que me acusem de bater muito no atleta Yannick Djaló, mas, bata eu o que bater, nunca baterei tanto como a bola nas canelas dessa pessoa.

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1 Comentários:

Anonymous Joel Marques disse...

Obrigado Sporting. Toda a Humanidade respira de alívio.

29 de setembro de 2010 às 17:47  

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