Sporting - Jornada 4
Foi uma espécie de lugar-comum, o que se ouviu sábado à noite nas bancadas de Alvalade: “um clube que empata em casa com o Olhanense não pode ser campeão”. Permiti-me corrigir o que ouvia e, munindo-me dos imprescindíveis berros e palavrões, lá disse que não só pode, como já aconteceu. E foram, inclusive, três, as ocasiões em que o clube que se sagrou campeão havia empatado em casa com o Olhanense. Claro que ao ser, pouco depois, confrontado com um outro género de evidência – “um clube que empata em casa com um Olhanense treinado por um gajo que parece o Dhalsim, não pode ser campeão” -, fui-me embora. E, no caminho, apercebi-me de que, após resultado negativo versus os algarvios, estava encontrado o verdadeiro problema do Sporting, na sua versão dois-mil-e-dez/dois- mil-e-onze: Paulo Sérgio.
Atente-se não se tratar, como é habitual nestas situações, de uma cabal inoperância técnico-táctica do próprio (como com Paulo Bento), de uma constrangedora falta de estofo (como com Carvalhal) ou até de uma evidente incapacidade para, de um modo geral, ser uma pessoa (como com Paulo Bento). Nada disso. Sim, Sérgio apresenta algumas características consideravelmente sui generis. Por um lado, é um treinador sem sobrancelhas; embora, bem vistas as coisas, isso até nem seja assim tão raro: quarenta por cento dos garotos que cresceram nos anos setenta e oitenta não as tinham, visto que passavam a vida a fazer aquilo de encher a mão fechada com gás de isqueiro e depois acender. Por outro, é um treinador sem grandes simpatias a nível jornalístico, insurgindo-se como prova disso mesmo o facto de ter sido o primeiro mister do futebol nacional a ter honras, num jornal desportivo nacional de gabarito, de especificação de altura e peso na sua ficha pessoal: metro e oitenta e seis para noventa e quatro quilos, se bem me lembro. É um rácio digno, que não envergonha o quarentão casado, mas nenhum treinador do mundo consegue fazer o seu trabalho em condições óptimas se se tornar público o seu peso. No dia em que se souber o peso de José Mourinho, duvido que o Real Madrid se mostre capaz de vencer o Paços na Mata Real.
Ora, aproveitando o facto de ter referido o Paços, vou, agora sim, directo ao assunto. Qual o problema de Paulo Sérgio? Trata-se, tão-só, de uma inabilidade, muito específica, para vencer, ou até castigar com golos, as suas anteriores equipas (e o Brondby em casa). Vejamos: na sua, ainda, curta carreira, o simpático treinador orientou o Olhanense, o Santa Clara, o Beira-Mar, o Paços e o Guimarães. Ora, esta época, o Sporting já defrontou o Paços e, no passado sábado, o Olhanense. Saldo? Zero vitórias, zero golos marcados. As suas anteriores equipas (e o Brondby em casa) são, está bom de ver, a kryptonite de Paulo Sérgio ao serviço do Sporting. Resta-nos esperar que Paulo Sérgio seja expulso antes dos jogos com o Beira-Mar e Guimarães – o Sporting seria, assim, orientando por um daqueles adjuntos que jogou no Gil Vicente - e que o Santa Clara não nos calhe na Taça de Portugal.
Em termos de sub-kryptonites, Paulo Sérgio também aparenta não conseguir vencer equipas que ainda não perderam (e o Brondby em casa), para além de apresentar dificuldades para vencer jogos ao sábado (e o Brondby em casa). Com efeito, quer Paços, quer Olhanense, se apresentavam invictos à data do encontro com os Leões, e, com o mesmo efeito, ambos os jogos se realizaram num malfadado sábado. Valha-nos, face a estas três aparentes kryptonites, que na próxima jornada o Sporting vai, não só defrontar uma equipa que Paulo Sérgio nunca treinou, como uma das equipas que mais vezes perdeu esta época. E a um domingo! A não ser que Carlos Xistra se torne na quarta kryptonite de Sérgio, a quinta jornada deve registar uma vitória do Sporting.
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7 Comentários:
Aleixo a paineleiro no Trio de Ataque já!
Eu também fiz muitas vezes aquilo de encher a mão fechada com gás de isqueiro e depois acender!!! E ainda mantenho as sobrancelhas - e as pestanas!
Julio és o maior! Faz-me um filho!
Lindo!
Julio, daqui escreve Daúto Faquirá.
É com enorme pesar, que vejo o meu nome associado a uma figura como o Dahlsim. Sempre preferi o Blanka, que tal como eu, tem pelo no peito e fica verde quando perde. Felizmente contra o "grandioso" SCP, não fiquei verde, seria redundante, visto que já bastava o relvado, as camisolas dos dos jogadores e toda a parafernalia dos adeptos... assim como o a cor de todos os aficionados do mui nobre SCP. Durante essa enchente de verde, a única coisa que me fez serenar foi algo branco como a neve que avistei nas bancadas. E aí reside a grande explicação para o actual momento do Sporting, muito mais do que o meu estimado colega de profissão, Paulo Sérgio. Essa mancha branca, que me faz desejar algodão doce sempre que o vejo.
Os melhores cumprimentos,
DF
Amigo Daúto,
ser comparado a Dhalsim será sempre, se alguma coisa, um dos mais profundos elogios que um ser humano consegue erigir a relação a um outro ser humano. Permita-me, porém, pensar em ofendê-lo pela decisão de utilizar aspas no adjectivo "glorioso" que, fora isso, muito bem associou ao Sporting.
Não me engana, eu bem sei que essas aspas revelam uso irónico do epíteto em questão.
Cumprimentos regrados,
J. Salinas
Amigos sportinguistas, já vamos a caminho dos lugares de descida, que deve ser o objectivo «cotonete» para poupar dinheiro...de onde é que veio este treinador? não foi da divisão de honra? então o lugar dele é lá mesmo... ESTAMOS NO BOM CAMINHO...bora lá
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