segunda-feira, 9 de agosto de 2010

FC PORTO - Rescaldo da Supertaça

O meu comentário vai ser o mais honesto possível e, honestamente, cabe dizer que perdi algumas frames da supertaça já que fui sendo simpaticamente interrompido por espetos de picanha. Antes de me reputarem de alarve burguês ou, o que é pior, antes de me chamarem adepto negligente (bem sei que tremoços são o único alimento permitido durante um jogo de futebol), devo salientar, primeiro, que o dito rodízio se cingiu à picanha, ficando o prato por 10 euros - francamente mais barato do que o desfrute das 9 variedades de carnes a que eu assisti sem inveja de maior na mesa ao lado. Em segundo lugar, recorri ao dito restaurante num gesto de desespero já que a antena da televisão onde planeava visionar o jogo a salvo de solicitações gastronómicas enguiçou no preciso momento em que se anunciavam as equipas iniciais. Tudo o que pude fazer foi correr para o plasma mais próximo a uma velocidade próxima da alcançada pelo Rochemback nos seus melhores tempos.
Ainda assim, entre espetos consegui reparar em pormenores que aparentemente passaram despercebidos. Saliento dois: no canto que origina o primeiro golo não há culpa de Roberto, mas há culpa de Carlos Martins que ao tentar interceptar a bola ao primeiro poste acaba por efectuar um desvio que involuntariamente isola o Rolando. Já no segundo golo, quando o Luisão vai no um para um com o Varela já tinha sentido a picada no músculo (numa das repetições nota-se um momento que salta ao pé coxinho), facto que terá contribuído para a facilidade com que Varela o fintou e que explica a sua substituição logo a seguir ao golo de el Tigre (chamar tigre a uma pessoa que se chama Falcão é um tanto pateta, mas enfim)
Parece que as análises ao jogo têm tratado de crucificar Jorge Jesus e de endeusar Villas-Boas. Discordo de ambas as abordagens. É verdade que Jesus terá errado na colocação de Coentrão a médio esquerdo – além de ser um defesa muito mais contundente que Peixoto, está visto que Coentrão desequilibra mais no ataque quando sobe no terreno vindo da posição de defesa. É verdade que Jesus poderá ter errado ao insistir no Roberto quando se nota que o rapaz está a passar por uma crise de confiança semelhante à vivida por Calado quando aqui há uns anos foi vítima de bullying. Também é verdade que Villas-Boas foi sábio, quer no aproveitamento da estrutura deixada por Jesualdo, quer no gizar de uma pressão alta que permitisse ao Porto recuperar rapidamente a bola (só possível com uma equipa muito jovem, os jogadores de campo mais velhos no início do jogo, Bellushi e Sapunaru, têm apenas 26 anos).
Na medida em que muito do que se jogou nesta supertaça é a continuação da época passada - com as óbvias nuances das transferências -, a ter que destacar um treinador pela positiva os meus pensamentos estão com o mais influente autor da equipa que ganhou o jogo de Aveiro: Jesualdo Ferreira.
O problema de Jesualdo, apesar dos tantos títulos que ganhou no Porto, é que nunca foi aquele treinador que os adeptos gostariam de convidar para um rodízio. Já Villas-Boas tem a vantagem do carisma, facto que lhe poderá vir a garantir muita picanha à pala.

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2 Comentários:

Blogger Picareto disse...

Quem também gostava de picanha era o Rochemback. Eu prefiro carapaus à espanhola.

13 de agosto de 2010 às 14:44  
Anonymous Filipe Silva disse...

Será que ainda ninguém percebeu que o verdadeiro problema do benfica se chama David Luiz, Luisão e Cardoso?? São jogadores que não estão na mesma sintonia que no ano passado. Querem sair do clube da treta e o mesmo clube não permite(ao contrário de Porto e sporting que fizeram sair quem estava a mais).
Tenho para mim que este ano Aimar e Saviola vão ser um flop e ainda que Jesus este ano borra a pintura...Meus amigos este ano ninguém para o PORTO...

24 de agosto de 2010 às 19:17  

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