terça-feira, 20 de julho de 2010

A pré-época do Benfica

Incêndios, sazão tola e pré-época: eis os três termos que comummente devemos associar ao verão. Porém, para que o estio se defina em todo o seu esplendor, creio de ser da mais elementar justiça lusitana o acrescento de uma quarta expressão, a saber: [sujeito + interessa/vai para/no] seguido de Benfica. No primeiro campo, o do sujeito, devemos incluir tudo o que nos passa pela imaginação: de Ronaldinho Gaúcho até uma Sandes de Leitão, passando por um Airbus A380, por um miúdo maravilha de dezasseis anos do Quirguistão que é o novo Zidane mas que é seguido pelo Milão ou pelo próprio Woody Allen sem óculos. De facto, esta é a altura do ano em que tudo está para ir para o Benfica, sobretudo o que nem nas mais terríveis lucubrações do Professor Jorge Jesus lhe passou pela cabeça. O verdadeiro verão – o verão psicológico - começa não a 21 de Junho mas sim quando o Benfica se torna, por assim dizer, força centrípeta de tudo o que mexe. Por cada ano que passa o Benfica tem, seguramente, um número  de contratações hipotéticas maior que o número de amantes do Jack Nicholson ou, arriscando a brejeirice, superior ao número de pares de sapatos da Imelda Marcos. Como benfiquista meditante, sonho ler, em modos existencialistas de rima fácil, “Camus chega à Luz”.  Porém, o mais próximo que estive disso foi quando fomos buscar o Fyssas ao Panatinaikos. A chegada do fulano no Benfica de cada ano é, para mim, indicador que é tempo de começar a ir de banhos para os sargaçosos e gélidos mares do norte do país, bem como é hora de começar a frequentar algumas tertúlias de veraneio onde se discutem as irreconcíliaveis antinomias teórico-tácticas entre o carrega Jesus e a táctica do pirilau de Paulo Autuori.  Este ano, e depois de mais uma dezena de guarda redes com nomes tão estranhos quanto femininos no Benfica, a discussão centra-se sobretudo nos atributos ontológicos do keeper Roberto. Se dependesse de uma certa e não benfiquista forma de estar, já se teriam erguido dois paus em forma de cruz no Seixal e, neste momento, o guarda-redes espanhol estaria a fazer um penoso caminho com catorze paragens. Valha-nos o bom senso, ora pois, que Jesus só há um e tem cabelo branco. Tenhamos calma. Afinal estamos em tempo de fulano no Benfica.

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1 Comentários:

Blogger Unknown disse...

Brilhante!

3 de agosto de 2010 às 23:00  

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