Benfica - Jornada 2 - Os Malditos Instantes
Há um instante determinante na realização televisiva do último jogo do Benfica: final da primeira parte, Luisão, face à aproximação de um avançado adversário, atrasa para o guarda-redes “vocês sabem quem”. Este, ao seu estilo, adianta a bola com um toque e recua meia dúzia de passos para ganhar lanço para pontapear o esférico para a frente. Em tal recuo, o indivíduo sai do enquadramento cinemático da transmissão e a bola ali fica sozinha na verde grama, entregue ao seu próprio destino. Nesse momento, fiquei mais gelado que a Sibéria em Janeiro. Julguei que o indivíduo, numa má avaliação de condições que só uma profunda ineptidão como a sua possibilita, teria recuado mais metros que aqueles que faltavam para o avançado do Nacional chegar à bola. Mas de imediato o gelo derreteu, dando lugar a um contentamento intenso que me percorreu a psique. Não, o guarda-redes ainda não reapareceu na cena. Eu é que, com inegável felicidade, pensei que o rapaz teria ido embora, dando de frosques pela linha de fundo e compreendendo que o seu lugar no cosmos é em todo o lado, excepto na baliza do Benfica. Uma fracção de segundo depois, já a biqueirada tinha sido dada e todos os índices voltaram à normalidade. Maldito instante.
Estas palavras, que alinhavo ao som da melodia pungente da sonata em si bemol de Schubert pelas mãos tortuosas de Serkin, só podem cair na pessoa de Roberto Jimenez Gago, o melhor pior guarda-redes que alguma vez vestiu a camisola do Benfica. É certo e sabido que o Benfica, de quando em vez, cai na contratação de grandes péssimos jogadores: os anos negros de 94/95 até finais de 2003, vértice da ridicularia Benfiquista, são prova evidente disso e uma tentativa de não escrever aqui nomes como Carlos Bossio, Zach Thornton, Washington Rodriguez, Pesaresi, Rojas, Dudic, Marco Freitas e, claro, Nandinho, o foguete de Paranhos; porém, nenhuma destas grandes lendas do melhor pior Benfica se compara ao patético espanhol. E porquê? Porque Roberto será, por certo, o jogador que mais depressa entrou na História do Benfica. Ninguém, no curto espaço de um mês, conseguiu marcar tão vincadamente os destinos deste clube. Neste caso, para o seu lado errado e inglório, seja na derrota na Supertaça – toda a gente viu que teve medo de levar com a bola na cara no primeiro golo – seja, claro, no início do fim do sonho da revalidação do título deste ano, onde Roberto assume um papel propulsor notável. Pior do que isto só napalm. Neste cenário horrendo e vil, e numa espiral de melancolia benfiquista, é o próprio Jesus quem terá pela frente o desafio mais fácil da sua carreira: insistir, com a sua casmurrice, em desfazer o Benfica em menos tempo que Artur Jorge ou tentar salvar uma equipa desconfiada, agressiva, sem fio, que em dois meses desaprendeu tudo que o mesmo Jesus conseguira transmitir. Será assim tão difícil saber que passo dar à beira do abismo?
Há um derradeiro instante de esperança no jogo da Choupana: aos oitenta e dois minutos, o treinador do Benfica prepara-se para fazer entrar Nuno Gomes. Seguramente, a par de grande parte da nação benfiquista, quis acreditar que Jesus, reinventando o conceito de futebol total, iria ter a coragem estruturalista de meter o 21 e fazer sair Roberto, passando o Benfica a jogar sem guarda-redes e com onze jogadores de campo. Tenho a certeza que se o tivesse feito, ainda empatávamos. Maldito instante.
Estas palavras, que alinhavo ao som da melodia pungente da sonata em si bemol de Schubert pelas mãos tortuosas de Serkin, só podem cair na pessoa de Roberto Jimenez Gago, o melhor pior guarda-redes que alguma vez vestiu a camisola do Benfica. É certo e sabido que o Benfica, de quando em vez, cai na contratação de grandes péssimos jogadores: os anos negros de 94/95 até finais de 2003, vértice da ridicularia Benfiquista, são prova evidente disso e uma tentativa de não escrever aqui nomes como Carlos Bossio, Zach Thornton, Washington Rodriguez, Pesaresi, Rojas, Dudic, Marco Freitas e, claro, Nandinho, o foguete de Paranhos; porém, nenhuma destas grandes lendas do melhor pior Benfica se compara ao patético espanhol. E porquê? Porque Roberto será, por certo, o jogador que mais depressa entrou na História do Benfica. Ninguém, no curto espaço de um mês, conseguiu marcar tão vincadamente os destinos deste clube. Neste caso, para o seu lado errado e inglório, seja na derrota na Supertaça – toda a gente viu que teve medo de levar com a bola na cara no primeiro golo – seja, claro, no início do fim do sonho da revalidação do título deste ano, onde Roberto assume um papel propulsor notável. Pior do que isto só napalm. Neste cenário horrendo e vil, e numa espiral de melancolia benfiquista, é o próprio Jesus quem terá pela frente o desafio mais fácil da sua carreira: insistir, com a sua casmurrice, em desfazer o Benfica em menos tempo que Artur Jorge ou tentar salvar uma equipa desconfiada, agressiva, sem fio, que em dois meses desaprendeu tudo que o mesmo Jesus conseguira transmitir. Será assim tão difícil saber que passo dar à beira do abismo?
Há um derradeiro instante de esperança no jogo da Choupana: aos oitenta e dois minutos, o treinador do Benfica prepara-se para fazer entrar Nuno Gomes. Seguramente, a par de grande parte da nação benfiquista, quis acreditar que Jesus, reinventando o conceito de futebol total, iria ter a coragem estruturalista de meter o 21 e fazer sair Roberto, passando o Benfica a jogar sem guarda-redes e com onze jogadores de campo. Tenho a certeza que se o tivesse feito, ainda empatávamos. Maldito instante.
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7 Comentários:
abriu a caça aos patos*
depois das camisolas de falcao,hulk e moutinho...a camisola amarela com o nome de roberto é a quarta mais vendida graças ao excelente trabalho que tem estado a realizar.
Ontem foi amplamente difundido,por diversos noticiários,um vídeo feito aquando da apresentação deste "Guarda-redes". Nesse mesmo vídeo aparece uma senhora com um vestido branco e que suponho ser sua esposa ou namorada. Pensei de imediato:"Ele não tem mãos para aquilo".
O bóssio, certamente melhor que este.
Mas quem é que dá OITO MILHÕES E MEIO por um GR? Nem no Football Manager, que o dinheiro é "de mentirinha"!
Porque é que o gajo do Benfica tem sempre que dar um subtitulo ao post?
Genial. Vocês são os máióres. São os verdadeiros mágicos.
ai que o Benfica se arrisca a voltar às grandes noites de glória europeia... só que no lado "errado".
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