quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Jornada 3 - eu a comentar

Amigos, vou ser franco: este fim-de-semana foi a festa da Poutena e eu, como entusiasta, fui ver tocar os conjuntos, comer o leitão e a chanfana em vez de ver os jogos. Eles até estavam a dar numa televisão, mas eu nem prestei atenção que estava de costas e ocupado a conversar. Sei que, na altura da janta, estava o dar o Porto.
A gente acostuma-se a não haver bola durante o Verão e, depois, até que se mentalize que há jogos sempre, ainda demora um bocado. Dantes os fins-de-semana de Agosto eram um martírio, com cafés fechados ao domingo e eu a ter que ir a casa do busto beber os nespressos do pai dele. Uma vez, eles até nem estavam e eu entrei na mesma. Mas foi só fazer um bocado de sala com a mãe dele que puxei logo o assunto do café. 15 minutos já vinha a vir embora, que a mãe do Busto reformou-se a agora faz auto-ajuda e eu tenho medo disso.
Depois vim a saber (e vi os resumos dos jogos, com golos de belo efeito) ganhou melhor o Benfica porque deu 3-0 com menos um jogador; depois o Sporting, que ganhou 3-1 com três golos fora, que contavam a dobrar se fosse num jogo da taça; em último, o Porto que só ganhou por 2-0.

PS: Agora que me lembro, os golos de belo efeito foram os do Guimarães. Os Grandes só meteram golos chatos.

PPS: Eu cá não gosto do Beira-Mar desde que eles deixaram sair o Jogador Lobão, mas esta semana até lhes estou grato. 

Marcadores:

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sporting - Jornada 3

Na passada segunda-feira, ao vencer a Naval, o Sporting conseguiu equilibrar o seu saldo contra equipas amarelas: após desaires contra Paços e Brondby, vitórias sobre o mesmo Brondby e Naval. Na equipa da Figueira da Foz, entusiástico destaque para Previtali, um avançado com nome de remédio ou cereal de pequeno-almoço que dá energia e sabe a papelão, e para o seu treinador, o francês Victor Zvunka. É que este último, para além de ter nome de vilão de filmes do James Bond, apresenta ainda a espectacular característica de ter a cabeça (não no seu sentido mais figurativo, mas enquanto existência física) do Zico, o que o torna num sósia perfeito da antiga glória brasileira. De resto, se nunca foi pago para fazer de Zico em festas, Victor Zvunka tem esbanjado uma grande oportunidade de ganhar uns trocos, provavelmente sem recibo.

Na nossa equipa verde, opto por fazer dois destaques. O primeiro para dois jogadores: Yannick Djaló e Abel Ferreira, pelo golo e assistência, respectivamente. Factos tanto mais louváveis quando nos apercebemos tratar-se de atletas para quem, e mais uma vez respectivamente, a) um controlo de bola básico e b) qualquer toque de bola sem olhar primeiro para o chão a ver se a bola ainda lá está, são acontecimentos que se revestem do exacto mesmo grau de dificuldade que um golo de pontapé de bicicleta desde a linha de fundo enquanto se tenta adormecer um bebé ao colo.

O meu segundo destaque vai para o melhor jogador sul-americano de dois-mil-e-seis (prémio anual de invulgar gabarito, apenas ensombrado pelo terceiro lugar de Hugo Ibarra em dois-mil-e-sete): Matias Fernandez. Pela competente prestação no encontro contra a Naval, mas também porque o meu moderadamente estimado colega Sena Martins resolveu, no seu espaço, galhofar a propósito de um lance protagonizado pelo mago chileno no encontro contra o Brondby. Tomo a liberdade de esclarecer: Matias, num lance de quatro para um a seu favor, perde a bola para uma entrada à betoneira do dinamarquês porque é um romântico, um exímio gestor de emoções e sentimentos. Matias falhou esse lance por mera questão de gestão de intensidade vitoriosa. Se tivesse resolvido aquele lance, bem antes do apito final, com um tento ou passe para um tento, seria como se Matias Fernandez tivesse optado por realizar um filme em que o herói matava o mau a vinte minutos do final e, nesses últimos vinte minutos, ficávamos a ver esse mesmo herói a almoçar com a sua família e a ir às Finanças. Assim, graças a Matias, tivemos filme até final e inclusivamente com um herói inesperado: Djaló - que, como Bruce Willis n'O Sexto Sentido, estava morto desde o início, e protagonizou o twist que catapultou definitivamente o Sporting para a fase de grupos da Liga Europa. São assim, os grandes cineastas.

Afora esse aspecto, sinto-me ainda obrigado a lembrar toda a comunidade que existem, no Youtube, vídeos de Matias Fernandez vs. Ronaldinho. E se o simples facto de haver vídeos desta natureza não for inequívoco indicador de qualidade, eu não sei o que será. Não há vídeos de “vs. Ronaldinho” com qualquer um e não é por acaso que o Youtube não tem, por exemplo, um Ruben Micael vs. Ronaldinho ou um Hulk vs. Ronaldinho (há um Hulk vs. Thor, para compensar). Admito, todavia, a mais que provável existência de um Moutinho vs. Figo, ainda que por outras razões que não as avarias com uma bola.

Marcadores:

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Benfica - Jornada 3 - A História Repete-se

Vamos deter-nos entre as 21:37 e as 21:42 do passado dia 28 de Agosto de 2010. O mundo pula e avança no seu ritmo normal de sábado à noite e na Luz joga-se o Benfica – Vitória de Setúbal. O que sucedeu nesses cinco minutos toda a gente sabe. Não adianta descrever. Aliás, estava eu a tentar fazê-lo por mensagem de texto a um sócio da minha empresa de atoalhados que se encontrava em negócios na Ucrânia, quando compreendi que apenas a chamada telefónica com a sustentação da descrição dos factos num carregado vernáculo nacional conseguiria traduzir, ainda que com alguma tepidez, aquilo que desfilava ante meus olhos. O Benfiquismo com bê maiúsculo estava a acontecer em todo o seu esplendor épico, trágico e cósmico.

Já toda a gente disse e escreveu que o intervalo de cinco minutos acima mencionado seria digno de hollywoodesca produção ou algo parecido. O que injustamente ninguém referiu é que esses mesmíssimos minutos foram já imortalizados no grande ecrã numa altura em que, pasmem-se, os seus protagonistas deste sábado não passavam de planos de reprodutibilidade na esperançosa mente de seus progenitores. Ou seja: o que aconteceu na Luz não é nada que o cinema fantástico já não tenha retratado. Como escreveu George Bernard Shaw, a história repete-se.

Em 1981, John Huston realizou o mítico Fuga Para a Vitória. Nessa obra maior da sétima arte futebolística, cuja acção decorre na Segunda Guerra Mundial, Sylvester Stallone, o Italian Stallion, desempenha o papel do Capitão Robert Hatch, um oficial prisioneiro que é também guarda-redes da equipa de futebol dos Aliados. A dada altura do filme, a equipa aliada defronta em jogo de vida ou morte a malvada mannschaft alemã. Num momento dramático e decisivo, Hatch, depois de ter estado quase a perder a titularidade (quis evadir-se ao intervalo), defende, com uma classe só ao nível dos eleitos, um penalty marcado pelo maquiavélico e pérfido Baumann, camisa quatro da selecção alemã e figura pela qual ninguém nutre particular estima.

Roberto foi Stallone, a besta convertida em bestial, o Hatch a defender o penalty. Roberto foi Hatch, mas também foi Rocky Balboa, John Rambo e Frank Leone. Todos ao mesmo tempo. Um homem que perdeu a titularidade das redes vermelhas por vinte e três minutos, o canastrão ostracizado que acaba por ser herói, o herói que reconquista o seu destino. Hugo Leal, figura pela qual os benfiquistas não nutrem particular estima, é Baummann, o pérfido e maquiavélico carreirista que, ante o olhar de aço de Roberto, se contrai, desconcentra e falha o penalty, numa claríssima vitória do Bem contra o Mal. Portanto, foi com intranquila naturalidade que alguns benfiquistas cinéfilos, categoria onde tomo a liberdade de me incluir, assistiram aos ditos minutos, já velhos conhecidos da sétima arte, conforme se constata neste vídeo, a partir do segundo quarenta e cinco.

Dois nervocalms e meio whisky depois, voltava a encetar profunda reflexão sobre o papel da fézada como eixo analítico do futebol dos tempos modernos: como é do domínio público, a superstição, as manias e os rituais mais inacreditáveis têm lugar cativo no futebol. Que o diga aquele treinador que largava água benta nas paredes do balneário ou aqueloutro que só deixava o autocarro estacionar de marcha atrás depois de todo o plantel ter abandonado o dito. Na minha condição de pensador sistémico do futebol benfiquista, sou forçado a admitir: tenho a certeza absoluta que se o Roberto tivesse o equipamento amarelo, nunca na vida apanhava o penalty e, instantes depois, abria o aviário.

Marcadores:

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

FC Porto - Jornada 3

Consta que há aí um realizador de cinema que acha que o Porto joga melhor sem Hulk. Antes de o atento leitor se permitir sequer a ponderar na bondade de um sistema táctico organizado para um colectivo solidário em detrimento de Hulk, um criativo indisciplinado cuja noção de passe é passar por adversários, cabe lembrar que o dito realizador considera Jorge Jesus melhor treinador do que José Mourinho.


O que se passa não é tanto a incapacidade do dito realizador para emitir juízos sobre o futebol – ou sobre tudo o que se passe num raio de 5 quilómetros de um estádio de futebol -, a coisa é mais apetecível: sempre que o dito realizador se põe a dar palpites a realidade decide escarnecê-lo. Se quisermos ser místicos isto já chegou a um ponto em que é lícito supor que o dito realizador mexa com a realidade a partir do momento em que esta - a realidade – definiu como divertimento supremo gozar com os bitaites do dito realizador. Senão vejamos: o dito realizador diz que Jesus é melhor que Mourinho e pouco tempo depois Mourinho volta a ganhar uma Champions (já agora Mourinho ganhou uma Taça Uefa na sua primeira época completa num grande, Jorge Jesus conseguiu desbaratar a Liga Europa com o Liverpool mais risível da última década). Continua. Na passada semana o dito realizador fez uma sentida elegia ao futebol do Matías Fernández, poucos dias depois, no jogo contra o Brondby, o chileno viria protagonizar uma das jogadas mais patéticas já acontecidas desde que os hominídeos assumiram a posição bípede: 4 jogadores do Sporting caminham para a baliza do Brondby só com um defesa nas redondezas, Matias conduz a bola. Suspense. O que faz o bom do Matias com 3 colegas ao lado? Aposta na sua extrema velocidade (pausa para gargalhada) e oferece um espectáculo na primeira fila os 3 colegas; uns privilegiados que tiveram oportunidade de assistir atónitos ao desamparo de Matias perante o defesa dinamarquês que tranquilamente lhe roubou a bola depois de lhe ter ganho 3 metros em duas passadas. No mesmo programa o dito realizador chamou a atenção para o modo como o Porto vinha passando bem sem Hulk. Acto contínuo: Hulk regressa e faz 5 golos em 2 jogos.






O jogo deste fim-de-semana contra o Rio Ave pode ser entendido como um manguito da realidade à leitura de jogo do realizador. Não que ele, em abstracto, não possa ter razão, a questão é que no concreto ele tem pé frio: de cada vez que proclama uma ideia só relativamente absurda ela tende a tornar-se patética no espaço de poucos dias. Pode ser que o dito realizador esteja fadado a ter razão antes do tempo: um dia todos concordaremos que Jesus é melhor que Mourinho, que Matías Fernández é um futebolista colossal, que Hulk não tem compleição emocional para jogos colectivos. Por agora só podemos concluir que o dito realizador está fadado para ter razão fora do tempo e do espaço, o espaço-tempo onde as pessoas vivem e o futebol acontece. Não deixa de ser irónico que alguém com nome de desenho animado – Hulk - consiga mostrar de forma tão ostensiva a uma pessoa com nome de gente - António-Pedro Vasconcelos - que é a este último que a realidade insiste em não levar a sério.

Marcadores: