Benfica - Jornada 3 - A História Repete-se
Vamos deter-nos entre as 21:37 e as 21:42 do passado dia 28 de Agosto de 2010. O mundo pula e avança no seu ritmo normal de sábado à noite e na Luz joga-se o Benfica – Vitória de Setúbal. O que sucedeu nesses cinco minutos toda a gente sabe. Não adianta descrever. Aliás, estava eu a tentar fazê-lo por mensagem de texto a um sócio da minha empresa de atoalhados que se encontrava em negócios na Ucrânia, quando compreendi que apenas a chamada telefónica com a sustentação da descrição dos factos num carregado vernáculo nacional conseguiria traduzir, ainda que com alguma tepidez, aquilo que desfilava ante meus olhos. O Benfiquismo com bê maiúsculo estava a acontecer em todo o seu esplendor épico, trágico e cósmico.
Já toda a gente disse e escreveu que o intervalo de cinco minutos acima mencionado seria digno de hollywoodesca produção ou algo parecido. O que injustamente ninguém referiu é que esses mesmíssimos minutos foram já imortalizados no grande ecrã numa altura em que, pasmem-se, os seus protagonistas deste sábado não passavam de planos de reprodutibilidade na esperançosa mente de seus progenitores. Ou seja: o que aconteceu na Luz não é nada que o cinema fantástico já não tenha retratado. Como escreveu George Bernard Shaw, a história repete-se.
Em 1981, John Huston realizou o mítico Fuga Para a Vitória. Nessa obra maior da sétima arte futebolística, cuja acção decorre na Segunda Guerra Mundial, Sylvester Stallone, o Italian Stallion, desempenha o papel do Capitão Robert Hatch, um oficial prisioneiro que é também guarda-redes da equipa de futebol dos Aliados. A dada altura do filme, a equipa aliada defronta em jogo de vida ou morte a malvada mannschaft alemã. Num momento dramático e decisivo, Hatch, depois de ter estado quase a perder a titularidade (quis evadir-se ao intervalo), defende, com uma classe só ao nível dos eleitos, um penalty marcado pelo maquiavélico e pérfido Baumann, camisa quatro da selecção alemã e figura pela qual ninguém nutre particular estima.
Roberto foi Stallone, a besta convertida em bestial, o Hatch a defender o penalty. Roberto foi Hatch, mas também foi Rocky Balboa, John Rambo e Frank Leone. Todos ao mesmo tempo. Um homem que perdeu a titularidade das redes vermelhas por vinte e três minutos, o canastrão ostracizado que acaba por ser herói, o herói que reconquista o seu destino. Hugo Leal, figura pela qual os benfiquistas não nutrem particular estima, é Baummann, o pérfido e maquiavélico carreirista que, ante o olhar de aço de Roberto, se contrai, desconcentra e falha o penalty, numa claríssima vitória do Bem contra o Mal. Portanto, foi com intranquila naturalidade que alguns benfiquistas cinéfilos, categoria onde tomo a liberdade de me incluir, assistiram aos ditos minutos, já velhos conhecidos da sétima arte, conforme se constata neste vídeo, a partir do segundo quarenta e cinco.
Dois nervocalms e meio whisky depois, voltava a encetar profunda reflexão sobre o papel da fézada como eixo analítico do futebol dos tempos modernos: como é do domínio público, a superstição, as manias e os rituais mais inacreditáveis têm lugar cativo no futebol. Que o diga aquele treinador que largava água benta nas paredes do balneário ou aqueloutro que só deixava o autocarro estacionar de marcha atrás depois de todo o plantel ter abandonado o dito. Na minha condição de pensador sistémico do futebol benfiquista, sou forçado a admitir: tenho a certeza absoluta que se o Roberto tivesse o equipamento amarelo, nunca na vida apanhava o penalty e, instantes depois, abria o aviário.
Já toda a gente disse e escreveu que o intervalo de cinco minutos acima mencionado seria digno de hollywoodesca produção ou algo parecido. O que injustamente ninguém referiu é que esses mesmíssimos minutos foram já imortalizados no grande ecrã numa altura em que, pasmem-se, os seus protagonistas deste sábado não passavam de planos de reprodutibilidade na esperançosa mente de seus progenitores. Ou seja: o que aconteceu na Luz não é nada que o cinema fantástico já não tenha retratado. Como escreveu George Bernard Shaw, a história repete-se.
Em 1981, John Huston realizou o mítico Fuga Para a Vitória. Nessa obra maior da sétima arte futebolística, cuja acção decorre na Segunda Guerra Mundial, Sylvester Stallone, o Italian Stallion, desempenha o papel do Capitão Robert Hatch, um oficial prisioneiro que é também guarda-redes da equipa de futebol dos Aliados. A dada altura do filme, a equipa aliada defronta em jogo de vida ou morte a malvada mannschaft alemã. Num momento dramático e decisivo, Hatch, depois de ter estado quase a perder a titularidade (quis evadir-se ao intervalo), defende, com uma classe só ao nível dos eleitos, um penalty marcado pelo maquiavélico e pérfido Baumann, camisa quatro da selecção alemã e figura pela qual ninguém nutre particular estima.
Roberto foi Stallone, a besta convertida em bestial, o Hatch a defender o penalty. Roberto foi Hatch, mas também foi Rocky Balboa, John Rambo e Frank Leone. Todos ao mesmo tempo. Um homem que perdeu a titularidade das redes vermelhas por vinte e três minutos, o canastrão ostracizado que acaba por ser herói, o herói que reconquista o seu destino. Hugo Leal, figura pela qual os benfiquistas não nutrem particular estima, é Baummann, o pérfido e maquiavélico carreirista que, ante o olhar de aço de Roberto, se contrai, desconcentra e falha o penalty, numa claríssima vitória do Bem contra o Mal. Portanto, foi com intranquila naturalidade que alguns benfiquistas cinéfilos, categoria onde tomo a liberdade de me incluir, assistiram aos ditos minutos, já velhos conhecidos da sétima arte, conforme se constata neste vídeo, a partir do segundo quarenta e cinco.
Dois nervocalms e meio whisky depois, voltava a encetar profunda reflexão sobre o papel da fézada como eixo analítico do futebol dos tempos modernos: como é do domínio público, a superstição, as manias e os rituais mais inacreditáveis têm lugar cativo no futebol. Que o diga aquele treinador que largava água benta nas paredes do balneário ou aqueloutro que só deixava o autocarro estacionar de marcha atrás depois de todo o plantel ter abandonado o dito. Na minha condição de pensador sistémico do futebol benfiquista, sou forçado a admitir: tenho a certeza absoluta que se o Roberto tivesse o equipamento amarelo, nunca na vida apanhava o penalty e, instantes depois, abria o aviário.
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4 Comentários:
Fico muito contente, sendo no entanto de estranhar, quando as minhas opiniões são iguais às dos Benfiquistas. Realmente eu, como portista, QUERO ver o Roberto TODOS OS JOGOS a "defender a baliza do Benfica".
Mas realmente faz-me rir ver que agora o Roberto é um herói...Se o Roberto é um Herói o que será o Helton? DEUS?
P.S - Se fosse benfiquista ficava mais contente se o Roberto tivesse saído bem ao único cruzamento que o V. Setúbal fez em todo o jogo, mas isto sou eu...E se calhar era pedir demais...
Sendo eu Benfiquista, o Roberto defender aquele penalty foi a pior coisa que podia ter acontecido. Graças a esse acto de lotaria, o Roberto ganhou a titularidade da baliza do Benfica para, pelo menos, os próximos 3 ou 4 jogos, podendo agora Jorge Jesus defender-se dizendo que ele foi heroi e deu 3 pontos contra o Setúbal. O que os Benfiquistas não percebem e nem reparam é que Robertão continua igual, a ser dono de um aviário e vai continuar para sempre a ser. Tenho pena que os Benfiquistas não consigam pensar com a cabeça e graças à estupidez de besta a bestial continuemos com o Roberto frangueiro na baliza. Defendeu um penalty mas saiu-se mal ao único cruzamento do Setúbal durante todo o jogo, tal como o angelodias ali disse.
Embora ache que para o Benfica foi a pior coisa que aconteceu este penalti não ter entrado, tenho de referir que neste comentário só se fala do Benfica ao contrário da página azul, onde só se fala no... Benfica...
Ao Anónimo das 4:16, se calhar ele é que não pensa pela cabeça dele. Para mim Roberto nunca foi herói, nem nunca foi vilão. Que tem andado a fazer a defesa? Nada. Em relação ao portista, eu cá preferi assim, defesa de penalty e lances fáceis este jogo para a motivação. O gajo é bom guarda-redes, precisava era de estar motivado e sem tanta pressão em cima. Os únicos golos em que ele tem culpa (e não é o único), são os golos contra o Nacional e esse jogo foi um espelho do nervosismo do Roberto.
Ter feito um jogo tranquilo, nas circunstâncias que o fez e antes de uma paragem foi o melhor que lhe podia ter acontecido. Espero que ele ainda cale muitas bocas. E quanto ao Helton... Para mim é um excelente guarda-redes, mas como toda a gente bem sabe, de vez em quando também dá uns belos frangos. A diferença é que no Porto sempre lhe deram estabilidade que o Roberto não tinha no Benfica. Nisso, sem dúvida, mérito ao Porto.
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