quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sobre a 1ª Jornada

Estou muito magoado com o Benfica por 7 razões:
1. Não meteu 4 golos à Académica, como eu tinha pedido.
2. Não meteu 3 golos à Académica.
3. Não meteu 2 golos à Académica.
4. Deixou que a Académica marcasse.
5. Deixou que a Académica marcasse mais que um golo.
6. Não conseguiu marcar, pelo menos, os mesmo golos que a Académica.
7. Perdeu com a Académica.
Vou ficar sem torcer pelo Benfica por tempo indefinido, pelo menos até ao início da segunda volta.

O Sporting perdeu mas até foi bom. Não sei se voltaremos a ver um venezuelano de boné no rescaldo dum jogo. Ainda para mais um venezuelano com aquela cara.

O Porto ganhou com um penálti duvidoso no final do jogo. O árbitro fez isso porque tem medo do treinador Villas-Boas, que é um garoto de fato e tem ar de mau. Uma vez vi um filme com um garoto a falar latim e não consegui dormir. Tive que tomar um comprimido.

Agora estão a dar uns jogos da Liga Europa mas eu só comento para a semana, porque tenho um jantar combinado com Fernando Alvim. Uma vez fui jantar com ele e o Busto teve que lhe emprestar 50 euros porque o Alvim perde sempre os cartões. Depois vai a ver e estão numas calças de ganga, em casa dele.

O Braga ganhou mas não tem direito a ser falado. Como disse, isto é só para clubes que já tenham sido campeões e estejam na 1ª divisão.

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Sporting - Jornada 1

Em tempos idos, e quase seguramente após jogos/arbitragens contra Porto ou Benfica, José Mota pediu para “respeitarem o Paços de Ferreira”. E o Sporting, por razões que a ciência desconhece, insiste em respeitar o Paços, seja este de José Mota ou dum equivalente funcional sempre demasiado próximo. A estreia leonina na liga 10/11 foi, enfim, aziaga, mas, bem vistas as coisas, nem tanto assim. Primeiro, é de bom-tom notar que os Sporting campeões têm acentuada tendência para começar as ligas de forma ruinosa. De nada vale, por exemplo, começar a época com onze vitórias consecutivas no campeonato (como em 90/91), para depois, naquilo que mais parece uma impossibilidade factual, acabar a treze pontos do primeiro lugar. Segundo, embora se tenha começado com o pé esquerdo, note-se que, ao menos, esse pé esquerdo não foi o do jogador Grimi – uma ausência do onze que, pessoalmente, considero que, mais do que merecer uma plateia a aplaudir de pé (não é entusiasmo que chegue), merece um motim prisional em sua homenagem. Terceiro, o Sporting é, e será sempre, um clube com notórias dificuldades para jogar à bola em campos onde os placards publicitários interactivos ainda não substituíram uns muros pintados com publicidade a oficinas, muros esses que, como é sabido, distam meio metro das linhas laterais e de fundo.

Na verdade, a Mata Real é, desde há já demasiados anos, terreno negro para o leão: dois míseros golos nas seis últimas épocas é um péssimo pecúlio sob qualquer prisma analítico (excepto se for o de Hélder Postiga, que, nesse caso, passa de “péssimo pecúlio” a “vá lá, vá lá”). Mais: examinando, com minúcia, esses dois golos, percebemos que um deles foi do avançado Djaló, em 2007/08, o que comprova inequivocamente a excentricidade e aleatoriedade dos tentos leoninos em Paços de Ferreira. Ainda mais: repisando ainda, de forma comprovativa, este último fenómeno de aleatoriedade, note-se que as duas duplas ofensivas que conseguiram levar o leão ao golo na Mata Real nas últimas seis épocas foram constituídas por Romagnoli/Djaló e Bueno/Liedson. Portanto, não vale mesmo a pena sobreanalisar esta derrota.

Não se deixe, por isso, e contudo, de destacar o que disso é digno. No último sábado, os avançados do Sporting e o Polga deram-nos inúmeros exemplos práticos de como falhar golos de cabeça na pequena-área; o actual guarda-redes do Paços, Cássio, é demasiado parecido com o ex-guarda-redes do Paços, Peçanha, para não fazer confusão na cabeça das pessoas de bem; Postiga acertou na barra quando uma cortina de fumo não deixava ver a baliza (quando não havia nuvem de fumo, acertou no Cássio e nos muros e redes atrás da baliza); Caetano, filho de uma ex-glória do Tirsense (sim, esta expressão existe), jogou de forma competente, sobretudo se atentarmos no facto de ser uma criatura a quem nenhum dono de café desbloquearia a máquina de tabaco; e, finalmente, como last but not least de tudo isto, Carlos Carneiro, ex-avançado pacense, estava no banco, de fato e gravata, a ver a bola. Embora, vá, possa ter sido coincidência – podia ter vindo de ir pedir um empréstimo ao banco, não sei. A rever.

Já amanhã, o Sporting recebe o Brondby, sendo que, julgo que de forma inédita na sua história, defronta então consecutivamente duas equipas amarelas. A óbvia improbabilidade estatística de um clube perder, de forma consecutiva, com duas equipas amarelas leva-me a apontar o Sporting como claro favorito.

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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Benfica - Jornada 1 - A Análise Possível

Encontrando-me na Lituânia a concluir um negócio de exportação de atoalhados, apenas me foi possível ver os primeiros oitenta e oito minutos do Benfica – AAC/OAF. Atendendo à previsibilidade exibicional das equipas, não creio que o resultado tenha pendido para um ou para outro lado. Ainda que o tenha, num lance de chuveirinho vermelho (dezoito tabelas, metade da equipa adversária já a rodear o árbitro a reclamar falta, ressalto, sobra e zás, golo) ou de contra-ataque negro (três para dois, remate de longe, chapéu ao redes absurdamente adiantado e zás, golo), tal não mudará, por certo, a opinião sobre a atitude vermelha no match de ontem.

Se, por acaso, o Benfica ganhou o jogo, os três pontos não invalidam uma exibição triste e nada bem-temperada, a indiciar um preocupante eterno retorno nietszcheano à melancolia benfiquista pré Jorge Jesus, só que desta vez com Jorge Jesus, o que é bem mais grave. Na hipótese académica do Organismo Autónomo de Futebol da Académica ter ganho o desafio nos instantes finais, consolar-nos-á, pelo menos, o facto do referido treinador não ter dito que aquela era a melhor equipa do mundo e caído em risível ridículo dois dias depois. Ainda dentro deste considerando, justo será dizer que estamos perante uma vitória em quádrupla frente do Futebol Clube do Porto: bate a Naval, vê a melhor equipa do mundo perder em Paços de Ferreira, vê o Benfica perder e ele próprio bate o Benfica pela segunda semana seguida. Esclareço: como toda a gente que percebe de futebol sabe, a Académica O.A.F., anteriormente tida como o clube dos tipos insossos que não percebem patavina de futebol e que, para agradarem a todos, dela dizem ser adeptos, mais não é hoje em dia que um plantio de tudo o que é despojo do Futebol Clube do Porto. Assim, e silogisticamente falando, a Académica O.A.F. é, também ela, o Futebol Clube do Porto. Logo, terá sido a segunda semana seguida em que o Benfica terá perdido contra o Porto o que, como se calcula, é profundamente inquietante. Para além do referido, o Benfica somará, já à primeira jornada, metade das derrotas que teve em toda a época passada e conseguirá o feito de em apenas noventa minutos ter feito aquilo que não fez em mil trezentos e cinquenta na passada época: perder um jogo na Luz. Perante este cenário, na perspectiva de injectar confiança nas hostes vermelhas, poderia dizer que “tenho a certeza que esta foi a última derrota da época do Benfica”. Ora, como na face de uma eventual derrota tal convicção será impossível, ousarei apenas um tremido e desconfiado “espero que tenha sido a última derrota do Benfica nesta liga”.

Independentemente do resultado, uma nota positiva para a gentlemanship de Jorge Costa, sinal inequívoco que os “eflúvios ares” do Mondego lhe retemperam a verve: ao contrário do que sucedeu no ano passado em Olhão, Jorge Costa, com imensa classe, não puxou da cartilha de insultos em espanhol para enxovalhar Javi Garcia e a sua mãe. Arrisco dizer que, com esta contenção quase báltica, Costa teria um tremendo sucesso na exportação de atoalhados para a Lituânia.

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

FC Porto - Jornada 1


Não queria deixar de usar o espaço conferido por esta crónica para enviar um alerta ao Salin, o guarda-redes da Naval. Como terão reparado, Salin mostrou-se muito frustrado por quase ter defendido o penálti marcado por Hulk. O que Salin não percebeu é que se aquela bola o apanha poderíamos estar aqui a lamentar a vida de um guarda-redes francês furado por uma jabulani na Figueira da Foz. Caro Salin, abandonar a baliza ou fugir pode não ficar não muito bem na fotografia, mas em situações como a de sábado pode fazer-lhe muito bem à saúde.
Vamos às perguntas difíceis: é deprimente ganhar um jogo com um penálti estúpido a poucos minutos do fim? Diria que sim. Ou melhor, diria que é assim para o agridoce (mais para doce do que acre, afinal ganhámos). Mas ressalvem-se dois factos que apesar de tudo me vão apaziguar as insónias. Primeiro, existiu de facto falta no penálti cometido por Jonathas, defesa da Naval a quem endereço o meu obrigado (e um convite para comer sardinha à discrição no restaurante do Núcleo Sportinguista da Figueira da Foz). Jonathas não cortou nenhum lance perigoso, facto, e, nesse sentido, até podemos dizer que prejudicou manifestamente a Naval. No fundo, sem outra intenção que não o seu próprio vexame, Jonathas não terá resistido a aproximar o braço de uma bola que lhe passou a roçar as costelas flutuantes (é uma zona muito erógena no que a jabulanis diz respeito). A outra notícia tranquilizadora é que ganhei 5 euros numa aposta combinada entre a vitória do Porto e a vitória do Paços de Ferreira.
Apesar do jogo menos bem conseguido do Porto, são de registar alguns detalhes que creio animadores na prefiguração desta época:
- Nas bolas paradas ofensivas notou-se trabalho de casa e, finalmente, surgem outras soluções nos livres indirectos que não as bolas (mal) bombeadas para o Bruno Alves (solução única na época de Jesualdo);
- Quando meteu Guarin, Villas-Boas passou do 4-3-3 a um 4-4-2. Mais do que a opção ter resultado para e jogo com a Naval, é de ressaltar a franca mais-valia na existência de dois sistemas suficientemente estudados ao ponto de poderem ser alternados no mesmo jogo (a ausência de extremos que obrigou Jesualdo a jogar em 4-4-2 no final da época passada transformou-se numa prenda que Villas-boas, inteligentemente, parece ter sabido receber).
- O Rolando sem o Bruno Alves está-se a fazer um homenzinho. De uma forma perversa a dupla com o Bruno Alves prejudicou a progressão de Rolando enquanto o central atleticamente impositivo que era no Belenenses. Ao lado de uma besta chamada Bruno Alves, Rolando adoptou uma postura de low profile que de algum modo mitigou o seu lado de central musculado. Acontece o mesmo ao Bruno Alves com na selecção, onde este se acanha perante a melhor capacidade de antecipação do Ricardo Carvalho, e acontece em muitas relações amorosas em que um dos consortes se apaga quando começa a namorar, tornando-se naquilo que, no caso de ser homem, usualmente se designa por coninhas. Pois bem, tudo leva a crer que Rolando deixou de ser um coninhas.

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